суббота, апреля 07, 2007

Um Acidente de Carro (IV/IV)

As luzes dos carros que vinham em sentido contrário clareavam bruscamente o rosto de Marina. Marcelo observava, embevecido, como a beleza se manifestava nas mais diversas maneiras, fosse nos suaves contornos faciais, sob a penumbra da estrada vazia, fosse no brilho da sua pele branca. Ela estivera em silêncio por um longo tempo, até que, olhos fixos na estrada, suas palavras se superpuseram ao vento que soprava levemente pela fresta da janela:

“Eu não sei o que você está sentindo agora, e nem no que você vai estar pensando segunda-feira, mas você não deve ter esperanças.”

Marcelo ficou em silêncio. Pegou um cigarro, acendeu-o, abriu um pouco mais a janela, e, sentindo já algumas gotas de chuva no rosto, disse:

“Está começando a chover de novo.”