воскресенье, апреля 01, 2007

Um Acidente de Carro (II/IV)

Seus olhos se iluminavam sob cores diversas, ao ritmo da música. As pontas em brasa dos cigarros faziam as vezes de luzes de orientação. A fumaça subia, dilatando-se à medida que era perfurada pelos focos de luz. No ambiente abafado, corpos em movimento se amontoavam, ávidos por contato; músculos enrijecidos se opunham a mãos delicadas, digladiando-se mortalmente em busca de um beijo. Marina dançava sensualmente, deixando-se levar pelo álcool e pelo ar inebriante da boate. Marcelo, atrás da cortina de fumaça de suas baforadas, observava.

Ele soltou o cigarro, apagou-o com o sapato, e caminhou lentamente na direção de Marina. Ele murmurou algo no ouvido dela. Ela não conseguiu ouvir o que ele disse.