суббота, декабря 01, 2007

Based on a True Story

On behalf of the fine young men the reader can see above, I would like to express here my deepest thanks to Petropolitano Foot-Ball Club and all the snooker players who, as it will soon be demonstrated, saved five infant and naïve souls from perdition. With no more further ado, let us move on to my rendering of the article above about these remarkable kids, their dark pasts, and their bright futures (names have been omitted due to privacy issues):

"New Generation
by J. L. Gerhardt

Snooker is, undoubtedly, an exciting sport, for it has been attracting youngsters to its practice [sic]. The proof of this is the friends T., C., J.C. and D. who, after having had a taste of the emotions of the sport, have fallen in love [with it, por supuesto]. In their free time, they are always at the club, practicing. This is evidence that this sport, so mistreated in the past, already shows its capacity to remove young people from the streets and help them liberate themselves from idleness. A. (photo) has joined the group and already shows his formidable technique playing snooker. Soon we will organize a tournament for the young athletes. You can count on it."

Having been friends with Mr. C. since his childhood back in Petrópolis, I remember visiting him at his house, and I can assure the reader that he never lived on the streets. I should say the same applies to the remainder of the group, although perhaps the Messiah did spend some time in the desert (40 days, I think) and also a night at Gethsemane. Nor do I remember there having been any snooker tournament for the young people (I do remember these young men organizing a tennis tournament, won by the boy shown in the separate picture). In any case, I hope this story has drawn some tears from your eyes, dear reader, in spite of its slight alterations of facts.

суббота, апреля 07, 2007

Um Acidente de Carro (IV/IV)

As luzes dos carros que vinham em sentido contrário clareavam bruscamente o rosto de Marina. Marcelo observava, embevecido, como a beleza se manifestava nas mais diversas maneiras, fosse nos suaves contornos faciais, sob a penumbra da estrada vazia, fosse no brilho da sua pele branca. Ela estivera em silêncio por um longo tempo, até que, olhos fixos na estrada, suas palavras se superpuseram ao vento que soprava levemente pela fresta da janela:

“Eu não sei o que você está sentindo agora, e nem no que você vai estar pensando segunda-feira, mas você não deve ter esperanças.”

Marcelo ficou em silêncio. Pegou um cigarro, acendeu-o, abriu um pouco mais a janela, e, sentindo já algumas gotas de chuva no rosto, disse:

“Está começando a chover de novo.”

вторник, апреля 03, 2007

Um Acidente de Carro (III/IV)

O pai de Marcelo foi para o quarto do filho, e começou a arrumar as coisas dele. Não para que fossem jogadas fora, ou doadas, ou guardadas em algum recanto mais obscuro da casa. Ele começou a arrumar as coisas para que, quando Marcelo viesse, encontrasse seu quarto organizado. As roupas no armário, os tênis nas gavetas debaixo da cama, os CDs perto das caixas de som, os livros na estante. Prendeu novamente no quadro de cortiça algumas fotos que haviam caído atrás da mesa de estudos. Em uma delas, uma foto sua ao lado do filho e da ex-esposa. A fotografia havia sido feita alguns anos atrás, na formatura do segundo grau de Marcelo. Sua expressão era pensativa, sonhadora. Ele não olhava para a câmera, mas sim para algo além e atrás dela.

Ele acordou com os gritos de crianças brincando no gramado da casa ao lado. Levantou-se da cama do filho, onde havia adormecido, e abriu a janela. Duas crianças, um menino e uma menina, brincavam. Suas corridas, abraços e fugas subseqüentes assemelhavam-se a um balé sem música.

Ele fechou a janela, mas um fugaz raio de sol iluminou algo que atraiu sua atenção. Atrás da cama do filho, na parede oposta ao quadro de cortiça, uma foto jazia escondida: Marina na formatura do segundo grau.

воскресенье, апреля 01, 2007

Um Acidente de Carro (II/IV)

Seus olhos se iluminavam sob cores diversas, ao ritmo da música. As pontas em brasa dos cigarros faziam as vezes de luzes de orientação. A fumaça subia, dilatando-se à medida que era perfurada pelos focos de luz. No ambiente abafado, corpos em movimento se amontoavam, ávidos por contato; músculos enrijecidos se opunham a mãos delicadas, digladiando-se mortalmente em busca de um beijo. Marina dançava sensualmente, deixando-se levar pelo álcool e pelo ar inebriante da boate. Marcelo, atrás da cortina de fumaça de suas baforadas, observava.

Ele soltou o cigarro, apagou-o com o sapato, e caminhou lentamente na direção de Marina. Ele murmurou algo no ouvido dela. Ela não conseguiu ouvir o que ele disse.

среда, марта 28, 2007

Um Acidente de Carro (I/IV)

I wrote this sometime in the first half of this decade. It results from an adolescent fascination with the world of nightclubs, caused to a great extent by the fact that I was always a foreigner in that world. This is evidenced, e.g., by the fact that the protagonist is a smoker. The attentive reader will also perceive echoes of The Smiths's masterpiece, here deprived, alas, of the wit and irony of Morrissey's lyrics.


Era de madrugada. Na avenida vazia, os postes vertiam sua luz alaranjada sobre um negro carro solitário, que cambaleava de um lado para o outro da pista. Já não chovia – podia-se ver até o halo lunar atrás da cobertura do céu – mas a água formara uma fina película sobre o asfalto. Os pneus singravam a película, deixando para trás dois filetes cada vez mais tênues, e uma nuvem úmida de vapor. Os faróis criavam fugazes áreas claras e sombras espectrais entre as árvores.


No asséptico e lúgubre interior do carro, uma adolescente ao volante, com um rapaz de carona. O casal recebia a luz intermitente dos postes da rua, em um ritmo monótono. Ele acendeu um cigarro, e a cada sorvida seu rosto se iluminava com o fumo incandescente. A fumaça se dispersava lentamente pelo carro, buscando a fresta na janela. Ele observava a moça, acariciando o rosto dela de vez em quando. Uma lágrima descia discretamente pela face dela.


Em um cruzamento, um veículo saltou na frente do carro, tomando a direita. O carro desviou bruscamente para a esquerda, planando de lado, dirigindo-se descontroladamente de encontro a uma árvore. A carroceria foi cortada em duas metades pela árvore.


O pára-brisas se manteve coeso, apesar de muito rachado. Os vidros laterais se estilhaçaram, lançando dezenas de minúsculas lâminas nos corpos dos ocupantes.


Os cachorros das casas da vizinhança latiam, alarmados. Mas não foi seu alarido o que acordou o rapaz.


O rapaz acordou com luzes brilhando no seu rosto. As luzes vermelhas das ambulâncias, dos carros de bombeiros e dos carros de polícia só tornavam mais rubro o sangue que impregnava a cena. O rapaz olhou para o lado, com o único olho que ainda via alguma coisa: o rosto dela estava sereno. A lágrima se dissolvera no sangue que escorria, esquecido sob as luzes vermelhas. Um esgar quase imperceptível no canto dos lábios esbranquiçados, e mais nada. Os giroscópios dos veículos, piscando em ritmos diferentes, apenas tornavam variável a intensidade do vermelho que a iluminava. Mas não havia como trazer de volta o rubor à lisa pele dela.